Oito dias na Bielorrússia<font color=0093dd>(2)</font>
Minsk, a capital da República da Bielorrússia, não é como outras cidades europeias. Quem procurar luxuosos palácios, requintados centros históricos ou labirínticos bairros medievais, não os encontrará. Na capital da Bielorrússia, as largas avenidas e os grandes edifícios têm a idade do fim da guerra e da vitória sobre a ocupação nazi.
Em 1944, os tanques soviéticos entraram em Minsk, libertando a cidade. Três anos de ocupação tinham-na deixado reduzida a cinzas. Nada ficou de pé. Milhões de bielorrussos haviam sido mortos. As autoridades soviéticas ponderaram transferir a capital para outro local, deixando Minsk arruinada, como testemunho dos horrores do nazismo. A ocupação e a vitória não poderiam jamais ser esquecidas!
A cidade acabaria por ser reconstruída. Abriram-se amplas avenidas, construíram-se imponentes edifícios públicos, plantaram-se vastos espaços verdes. Minsk ganhava uma nova configuração. Tal como a sua capital, a Bielorrússia estava viva e reerguia-se!
Mas a guerra não foi esquecida. Ainda os canhões troavam no Ocidente e já o Museu da Grande Guerra Patriótica abria as portas à população de Minsk: um grande edifício, de três andares, situado numa zona central da cidade. Ainda hoje lá está, mostrando os horrores da ocupação, o heroísmo da resistência e os seus protagonistas. É destino obrigatório nos (ainda raros) guias turísticos. São muitos os que o visitam.
Cidades heróicas
A Praça da Vitória é o centro da «nova» Minsk. Em seu redor que desenvolve-se toda a cidade. Ao centro da praça, um obelisco assinala a vitória. Na base, baixos-relevos retratam episódios da guerra. Num deles, soldados do Exército Vermelho transportam, triunfantes, a bandeira de Lenine. Logo por cima, uma foice e um martelo cruzados, com a insígnia: «República Socialista Soviética da Bielorrússia.»
Em frente ao obelisco, uma chama permanece sempre acesa a honrar os que tombaram. A enquadrar o complexo, caixões de pedra contêm cinzas das «cidades-mártir» da União Soviética: Leninegrado, Estalinegrado, Moscovo, Kiev, Odessa, Sebastopol… Noutro ponto da capital, um novo monumento evoca «Minsk, cidade heróica».
As referências à Segunda Guerra impressionam. Em várias ruas da capital, bem como em praças de pequenas aldeias, lá está, em bronze, o soldado soviético e a alusão às batalhas e aos caídos em combate. As coroas de flores estão sempre presentes, deixadas – quem sabe? – por familiares.
Brest tem nome de paz: ali foi assinada, em 1917, a retirada russa da guerra imperialista. Mas em 1941 a cidade é ocupada pelos alemães. A resistência é tenaz. A fortaleza, que resistiu ao invasor nazi durante mais de dois meses, é hoje um memorial. A mesma chama perpétua, as cinzas das «cidades-mártir», um museu.
De uma grande rocha sobressai um rosto duro, soberbo: chama-se «Coragem» e é dedicado aos que lutaram e morreram na Guerra. O mais impressionante monumento que alguma vez vi. É Agosto e dezenas de crianças visitam o memorial, acompanhadas pelos seus professores.
Preservar a história e continuá-la
Ao chegarmos a Minsk de comboio, a uma nova e moderna estação, aventuramo-nos no metropolitano. Na galeria, uma foice e um martelo cruzados. Nas paredes, o nome da estação: «Praça Lenine», deciframos a custo. Não resistimos e subimos à tão apelativa praça. Junto a um enorme edifício – a sede do governo – uma imponente estátua do líder soviético.
Ao longo da linha do metro, as pinturas e gravuras representando a União Soviética e a construção do socialismo são imensas. Por toda a cidade há imagens de dirigentes comunistas. Dzerjinski e Kalinine são alguns dos que reconhecemos.
Saímos de Minsk e neste aspecto nada muda. Nas pequenas aldeias há estátuas de Lenine e as ruas têm igualmente nomes sugestivos: Lenine, Marx, Engels, Kirov… As livrarias estão repletas de edições nacionais. A guerra na Bielorrússia, a história do socialismo na ex-república soviética e biografias dos seus dirigentes são abundantes.
Em tempos de traição e de reescrita da história ao sabor dos interesses, guarde-se o exemplo bielorrusso. O povo e os seus dirigentes não se envergonham do seu passado socialista, muito pelo contrário. As autoridades afirmam publicamente querer manter o que de bom a experiência soviética teve. A julgar pelo que vi, foi muito.
A cidade acabaria por ser reconstruída. Abriram-se amplas avenidas, construíram-se imponentes edifícios públicos, plantaram-se vastos espaços verdes. Minsk ganhava uma nova configuração. Tal como a sua capital, a Bielorrússia estava viva e reerguia-se!
Mas a guerra não foi esquecida. Ainda os canhões troavam no Ocidente e já o Museu da Grande Guerra Patriótica abria as portas à população de Minsk: um grande edifício, de três andares, situado numa zona central da cidade. Ainda hoje lá está, mostrando os horrores da ocupação, o heroísmo da resistência e os seus protagonistas. É destino obrigatório nos (ainda raros) guias turísticos. São muitos os que o visitam.
Cidades heróicas
A Praça da Vitória é o centro da «nova» Minsk. Em seu redor que desenvolve-se toda a cidade. Ao centro da praça, um obelisco assinala a vitória. Na base, baixos-relevos retratam episódios da guerra. Num deles, soldados do Exército Vermelho transportam, triunfantes, a bandeira de Lenine. Logo por cima, uma foice e um martelo cruzados, com a insígnia: «República Socialista Soviética da Bielorrússia.»
Em frente ao obelisco, uma chama permanece sempre acesa a honrar os que tombaram. A enquadrar o complexo, caixões de pedra contêm cinzas das «cidades-mártir» da União Soviética: Leninegrado, Estalinegrado, Moscovo, Kiev, Odessa, Sebastopol… Noutro ponto da capital, um novo monumento evoca «Minsk, cidade heróica».
As referências à Segunda Guerra impressionam. Em várias ruas da capital, bem como em praças de pequenas aldeias, lá está, em bronze, o soldado soviético e a alusão às batalhas e aos caídos em combate. As coroas de flores estão sempre presentes, deixadas – quem sabe? – por familiares.
Brest tem nome de paz: ali foi assinada, em 1917, a retirada russa da guerra imperialista. Mas em 1941 a cidade é ocupada pelos alemães. A resistência é tenaz. A fortaleza, que resistiu ao invasor nazi durante mais de dois meses, é hoje um memorial. A mesma chama perpétua, as cinzas das «cidades-mártir», um museu.
De uma grande rocha sobressai um rosto duro, soberbo: chama-se «Coragem» e é dedicado aos que lutaram e morreram na Guerra. O mais impressionante monumento que alguma vez vi. É Agosto e dezenas de crianças visitam o memorial, acompanhadas pelos seus professores.
Preservar a história e continuá-la
Ao chegarmos a Minsk de comboio, a uma nova e moderna estação, aventuramo-nos no metropolitano. Na galeria, uma foice e um martelo cruzados. Nas paredes, o nome da estação: «Praça Lenine», deciframos a custo. Não resistimos e subimos à tão apelativa praça. Junto a um enorme edifício – a sede do governo – uma imponente estátua do líder soviético.
Ao longo da linha do metro, as pinturas e gravuras representando a União Soviética e a construção do socialismo são imensas. Por toda a cidade há imagens de dirigentes comunistas. Dzerjinski e Kalinine são alguns dos que reconhecemos.
Saímos de Minsk e neste aspecto nada muda. Nas pequenas aldeias há estátuas de Lenine e as ruas têm igualmente nomes sugestivos: Lenine, Marx, Engels, Kirov… As livrarias estão repletas de edições nacionais. A guerra na Bielorrússia, a história do socialismo na ex-república soviética e biografias dos seus dirigentes são abundantes.
Em tempos de traição e de reescrita da história ao sabor dos interesses, guarde-se o exemplo bielorrusso. O povo e os seus dirigentes não se envergonham do seu passado socialista, muito pelo contrário. As autoridades afirmam publicamente querer manter o que de bom a experiência soviética teve. A julgar pelo que vi, foi muito.